Vai viajar? Dicas para fotografar a arquitetura do seu destino

Ibere Camargo

Se você olhar as fotos da sua última viagem de férias, são grandes as chances de você ver que obras arquitetônicas estão presentes em boa parte das fotos que você tirou. Isso acontece porque os elementos arquitetônicos geralmente se tornam grandes ícones do local onde estão situados. Pare pra pensar nos ícones de cidades famosas e isso fica claro: na Grécia, a Acrópole; em Sidney, o Opera Hall; em Brasília, o Congresso Nacional e assim por diante. Portanto, sendo um arquiteto e amante da fotografia, pensei que seria bom compartilhar algumas dicas básicas para que a arquitetura fique bem nas suas fotos da próxima viagem.

Conheça o seu equipamento

A dica mais importante de todas é entender como sua câmera funciona, inclusive a do seu celular. A função automática das câmeras estão cada vez melhores mas vale a pena conhecer as demais opções de ajuste. Antes de embarcar para a viagem, dê uma olhada no manual da sua câmera (hoje é fácil encontrá-lo na internet se você tiver perdido o seu) e teste as várias funções disponíveis analisando a diferença que cada opção provoca. A maioria das funções de uma câmera fotográfica são universais, porém podem ser acessadas de formas bem variadas ou estar identificadas por símbolos bem distintos dependendo da marca e do modelo. Em celulares é possível instalar aplicativos que estendem as opções de ajustes padrões.

Canon_PowerShot_A520

Tenha calma antes e depois de apertar o botão

É comum vermos as pessoas sacando a câmera mais ou menos em direção ao ponto de interesse e apertando o botão numa rapidez exorbitante. Se quiser fotos melhores é preciso ter mais paciência. A câmera, na maioria das vezes, precisará de um breve espaço de tempo para analisar a cena e ajustar seus parâmetros. Tenha calma. Após escolher a direção da foto, aguarde a imagem focalizar e ajustar o nível de exposição. Depois disso, faça os ajustes que achar necessário. Tenha calma também após pressionar o botão para capturar a imagem, mova-se só depois de se certificar que a imagem foi processada, principalmente em situações de pouca luz para evitar que a foto fique borrada. Tenha em mente que a tela da câmera ou do celular são pequenas e é difícil notar que a imagem não está boa. É comum chegarmos em casa e vermos que a foto no melhor local da viagem ficou toda desfocada ou muito escura. Algumas câmeras de celulares também podem fazer ajustes de foco e brilho tocando no ponto de interesse na própria tela.

Controle de brilho

As câmeras atualmente fazem um bom trabalho para controlar automaticamente o nível de brilho da foto mas ainda não se comparam ao olho humano. Em situações específicas, o software terá dificuldade de entender o que você quer fotografar, principalmente quando uma parte da cena está sombreada e a outra está banhada de sol ou por uma iluminação forte. Provavelmente os detalhes no escuro ou na claridade serão perdidos sendo necessário mudar para o modo manual para ter maior controle sobre a imagem. Isso acontece muito em ambientes internos com as janelas incidindo sol. Uma dica que funciona no modo automático com a maioria das câmeras é fazer um pré-ajuste (apertar metade do botão de disparo) direcionado a um ponto mais escuro e depois voltar para o enquadramento desejado e finalizar o disparo. Se sua câmera ou celular tiver a opção HDR (High Dynamic Range) é interessante usá-la para conseguir capturar mais detalhes.

High Dynamic Range (HDR)

Imagens de várias exposições de High Dynamic Range (HDR)

Enquadramento

É legal pensar a arquitetura como mais uma pessoa na sua foto, então faça o possível para encaixá-la totalmente na imagem. É comum ver fotos de edifícios cortados pela metade por simples falta de atenção. Geralmente alguns passos para trás resolvem esse problema. Você também pode explorar ângulos de baixo pra cima gerando fotos com mais dramaticidade ou enquadrando detalhes de elementos arquitetônicos.

Zoom

É sempre bom deixar uma boa margem em volta da cena fotografada. Isso permite que você possa fazer o corte ideal das fotos posteriormente, principalmente se for necessário corrigir o nivelamento com o horizonte. Procure utilizar somente o zoom ótico da câmera pois o zoom digital tem o mesmo efeito que o recorte da imagem no computador, ou seja, terá uma perda de qualidade.

Regra dos terços

A regra dos terços é uma questão tratada em todo texto sobre fotografia e isso não é à toa. É uma questão simples mas extremamente importante para uma foto harmônica e bem distribuída. No caso de uma foto com pessoas e arquitetura a sugestão é que elas estejam posicionadas no terço inferior esquerdo ou direito e o objeto arquitetônico preenchendo o lado oposto. Isso é ainda mais importante se você for fazer uma “selfie” pra evitar que seu rosto tape toda a cena. Quase toda câmera tem a opção de mostrar uma marcação dos terços da tela. É bom mantê-lo sempre acionado, ajuda bastante.

Regra dos terços

Regra dos terços

Posição do sol

Tente evitar fotos contra o sol. Em primeiro lugar porque sua luz intensa vai ofuscar os elementos da cena e em segundo lugar porque provavelmente o edifício estará todo sombreado. O ideal para realçar os volumes de uma fachada é uma incidência do sol próxima de 45º tanto horizontalmente quanto verticalmente, principalmente se houver detalhes rebuscados como em fachadas de igrejas por exemplo.

Catedral de Notre-Dame

Exemplo de incidência solar na fachada em ângulos diferentes

Formato paisagem

A maioria das fotos fica melhor na posição paisagem (horizontal). Isso porque os elementos que vemos no dia a dia se distribuem horizontalmente no chão. Para a arquitetura isso é mais imprescindível ainda. Se você estiver utilizando um celular, evite a tentação de mantê-lo na vertical por simples comodismo. As fotos verticais de arquitetura são indicadas se o edifício for alto ou se você quiser destacar a verticalidade de um elemento, caso contrário o chão e o céu ocuparão boa parte da foto e muita coisa será cortada da imagem.

Louvre

Foto paisagem x foto retrato

Tripé

O grande desafio para fotos de longa exposição e noturnas é manter a câmera parada. Por isso um tripé é essencial apesar de ser chato de carregar por aí. Uma opção interessante é um gorilla pod que permite fixar a câmera a quase qualquer coisa e é bem compacta.

Gorillapod

Gorillapod

Flash

O flash é a parte que muita gente não se atenta ao tirar fotos (vide fotos em estádio com flash). A verdade é que o flash estraga as fotos na maioria das vezes. Mas isso não significa que deve-se abolí-lo para sempre. O problema do flash é que ele cria uma fonte de luz muito forte, muito dura, muito pontual e partindo da mesma posição da lente, ou seja, tudo de ruim. No caso de fotografar a arquitetura ele é ainda menos indicado visto que ele tem um alcance pequeno sendo incapaz de iluminar elementos arquitetônicos que geralmente estão mais distantes. Se houver algum elemento em primeiro plano, como pessoas, este ficará extremamente claro e o fundo ficará completamente escuro. Porém em muitas máquinas é possível reduzir a intensidade do flash podendo atingir um ponto ideal para equalizar a intensidade da iluminação. Se seu flash for orientável você pode direcioná-lo para criar uma luz rebatida e mais difusa sobre o elemento em primeiro plano. Às vezes, colocar um pedaço de papel fino branco na frente do flash também resolve. Uma situação que o flash pode ser útil é para fotos em fim de tarde ou durante o dia em que o primeiro plano está sombreado e o fundo está muito claro permitindo uma sutil iluminação nos elementos escuros. Mas na dúvida deixe-o desligado.

Foto de dia: sem / com flash

Foto de dia: sem / com flash

É óbvio que essas dicas são básicas e tem o objetivo de ajudar quem não tem conhecimento sobre o assunto. A fotografia é na verdade uma arte onde a quebra de regras e o experimentalismo são sempre bem vindos. O objetivo aqui é trazer um pouco de noção da lógica da fotografia para que você, com o tempo, possa encontrar o estilo de fotografia que mais lhe agrada.

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