Reflexões sobre a Mostra ComCiência – CCBB

Está em exibição no CCBB a Mostra ‘COMCIÊNCIA’ da artista Australiana Patricia Piccinini, com suas representações hiper realistas de seres geneticamente modificados.

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Imagens CCBB

Primeiramente, vale a pena reparar no título ‘COMCIÊNCIA’ dado à exposição, que na minha opinião é genial, pois evidencia exatamente o que deve ser percebido na Mostra como essência, a combinação entre as palavras consciência e ciência.

Segundo o dicionário Michaelis:

cons.ci.ên.cia

sf (lat conscientia) 1 Capacidade que o homem tem de conhecer valores e mandamentos morais e aplicá-los nas diferentes situações. 2 Testemunho ou julgamento secreto da alma, aprovando ou reprovando os nossos atos.3 Percepção imediata da própria experiência; capacidade de percepção em geral.

ci.ên.cia

sf (lat scientia) 1 Ramo de conhecimento sistematizado como campo de estudo ou observação e classificação dos fatos atinentes a um determinado grupo de fenômenos e formulação das leis gerais que os regem.

A exposição trata de assuntos como ética, biogenética, ciência e natureza e a grande questão para compreender as esculturas, ilustrações, fotografias e vídeos da artista é refletir como tais assuntos repercurtem-se na vida de cada um de nós através de nossas consciências. As criaturas hiper realistas geneticamente modificadas representadas pela artista nos causam estranhamento e ao mesmo tempo certa doçura. Não sabe-se bem ao certo se são homens em forma de animais ou animais em forma de homens.

A Mostra nos leva a uma realidade de um tempo onde haveria tantas mutações que poderíamos questionar: e se o lado homem talvez fosse visto como a parte “bizarra”? O que hoje em dia para nós nos causaria estranhamento, amanhã pode ser o contrário. Será que a escolha de ter filhos com determinada cor de olho, inteligência, ausência de determinadas doenças ou certas características consideradas ideais não poderiam levar a resultados um tanto excêntricos ou indesejáveis, como nos filmes de ficção científica?

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cenas do filme de ficção científica sobre mutações genéticas “A Ilha do Dr. Monroe”

Somos a favor da inovação tecnológica e das melhorias que ela pode proporcionar a nossa sociedade, mas até que ponto o ser humano deve ir ou interferir no mundo natural? Vale a pena lembrar que a combinação de nossas características naturais perfeitas e imperfeitas podem chegar a resultados interessantes. Grandes gênios da humanidade com Albert Einstein, Charles Darwin, Tomas Edson, Van Gogh, Isac Newton, John Nash possuíam uma série de limitações e alguns mal conseguiam calçar os próprios sapatos, eram disléxicos, esquizofrênicos ou considerados lentos e mentalmente atrasados pelos seus professores, mas a combinação entre suas limitações e qualidades foi o que os impulsionaram a outro patamar. Charles Darwin pronunciou uma vez que a saúde ruim o salvou das distrações sociais e da diversão. Será que de repente o que é considerado uma fraqueza pode se tornar uma força?

Um outro fato interessante na exposição é observar o comportamento das crianças representadas nas esculturas da artista e até mesmo o da nossas crianças. Para  a maioria delas, as criaturas “mutantes” não causam repulsa como nos adultos, pois as crianças são em geral mais abertas, há uma maior aceitação do novo sem tantos julgamentos.

Vale a pena conferir ! A exposição vai até o dia 4 de abril.

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