Projeto luminotécnico na arquitetura

Itamaraty

Que a iluminação artificial na arquitetura é essencial todo mundo sabe, mesmo porque temos cerca de 12 horas sem sol por dia. Mas o fato de ser essencial não a torna mais importante que a própria arquitetura e, se não houver cuidado, um bom projeto de arquitetura pode ser arruinado por excessos de iluminação. Na atual conjuntura de uma preocupação global com eficiência energética, temos que iluminar com mais qualidade e menos quantidade.

Antes de mais nada, é bom lembrarmos o verdadeiro objetivo da iluminacão que é iluminar algo. Óbvio. Mas o que podemos concluir disso? Que o que será iluminado é mais importante que a iluminação que o ilumina. Lembremos que adoramos a iluminação do sol, mas nem por isso ficamos olhando diretamente pra ele. Nesse sentido, uma belíssima luminária pode prejudicar mais do que ajudar na iluminação de um ambiente, se não for definida com critério.

Um cuidado constante na elaboração de iluminação decorativa é evitar os excessos para não gerar uma overdose de estímulos visuais, principalmente quando se trata de uma residência onde o objetivo é ser um local de repouso e relaxamento.

Todo e qualquer ponto de iluminação deve ser inserido no projeto com um fim específico. Uma grande quantidade de luminárias e lâmpadas não é sinônimo de sofisticação e requinte. Um ambiente com excesso de iluminação e ofuscamento consegue ser pior que outro com deficiência de iluminação.

A julgar pela grande quantidade de tipos de lâmpadas, luminárias e efeitos de iluminação, um projeto luminotécnico deve ser feito por profissional qualificado com conhecimento técnico para evitar erros comuns de iluminação. Uma das falhas mais comuns é a instalação de lâmpadas dicróicas iluminando espelho de piso a teto. Como o espelho reflete luz, está claro que não é possível destacá-lo com nenhum tipo de luminária. Mas e quanto às luminárias acima do espelho do banheiro? Nesse caso o objetivo é iluminar as cubas onde se lavam as mãos e não o espelho. Isso quer dizer que a implantação de cada iluminação sempre deve ser acompanhada de uma intenção clara e objetiva.

Outra falha comum de iluminação é o uso indiscriminado de lâmpadas AR111. Esse tipo de lâmpada apresenta um facho de luz focada de alta qualidade mas é específica para vencer alturas acima de 3 metros como num pé direito duplo. Se forem aplicadas próximas ao usuário causarão enorme desconforto, principalmente em ambientes de uso prolongado.

É comum também nos depararmos com lâmpadas PAR 20 com facho de luz ascendente instaladas em calçadas. A não ser que a lâmpada esteja próxima a um muro ou outro anteparo vertical, não há nenhum sentido nisso a não ser iluminar pernas ou ofuscar a visão dos passantes.

Se o objeto iluminado é mais importante que a iluminação, significa também que a posição do facho de luz é mais importante que a posição da luminária no teto. As luminárias formando uma geometria interessante no teto pode estar formando marcações desconexas no piso ou na parede. Então o posicionamento das luminárias deve ser derivado de um efeito luminoso previsto. Além disso,  podemos dizer que é sempre desejável não ser possível enxergar uma fonte luminosa diretamente, e por esse motivo, apreciar a composição geométrica formada pelas luminárias no teto não é  o objetivo principal da luminotécnica.

Características técnicas das lâmpadas

Uma das principais características das lâmpadas é a temperatura de cor que é um critério baseado na medição da temperatura de aquecimento de um elemento escuro e sua respectiva coloração de emissão de luz. Apesar ser medida em Kelvin, é uma definição de uma escala de cores e não de calor gerado pela lâmpada. A luz natural do sol é branca total e nessa escala fica em torno de 5800 Kelvin, considerando o sol de meio dia com céu aberto. Abaixo desse valor temos uma luz branca suave que tende para o amarelo que podemos relacioná-lo à luz da vela e do fogo girando em torno de 2700 e 5000 Kelvin, sendo comumente chamadas de lâmpadas quentes. Acima de 6000 Kelvin temos uma tonalidade branco azulada sendo conhecidas como lâmpadas frias. O tom amarelado tem um aspecto mais relaxante sendo indicado para locais de descanso e ambientes sociais, mais utilizado para iluminação residencial, enquanto que o tom azulado tem efeito estimulante sendo mais apropriado para locais de trabalho, consultórios ou ambientes de venda.

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É bom salientar que a temperatura de cor não determina o fluxo luminoso de uma lâmpada (quantidade de luz emitida em todas as direções medida em lumens). É possível ter uma lâmpada de alta temperatura de cor com baixa emissão de fluxo luminoso e vice-versa. A quantidade de lumens está diretamente relacionada à eficiência da lâmpada pela comparação de watts consumidos por lumens emitidos.

Outra característica técnica das lâmpadas é o índice de reprodução de cores (IRC). Esse índice é um percentual que aponta a fidelidade da luz da lâmpada para reproduzir as cores do espectro visível, ou seja, o quanto ele se aproxima da qualidade da luz do sol. Essa característica é importante para locais que exigem o reconhecimento real das cores dos objetos principalmente em galerias de arte, salas de espetáculos e sets de cinema.

Tipos de lâmpadas

Incandescente: São lâmpadas de filamento de tungstênio de baixo custo mas de baixa eficência com cerca de 90% da energia sendo transformada em calor e por isso estão sendo gradativamente retiradas do mercado em prol de lâmpadas mais econômicas e mais duráveis. Geralmente são lâmpadas com baixa temperatura de cor com tons amarelados.

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Fluorescentes: apresentam uma grande variedade de formatos e uma eficiência energética considerável (em torno de 85%). Essas lâmpadas necessitam de reatores para serem acionadas e por isso não são indicadas para locais onde há acionamentos constantes, o que reduz sua vida útil. As lâmpadas fluorescentes compactas possuem reator embutido na própria lâmpada podendo ser instaladas em bocal de lâmpadas comuns (E27). Há opções de tons que vão do amarelado ao azulado sendo por isso utilizada amplamente para iluminação geral de edificações residenciais e comerciais.

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Halógenas: São lâmpadas incandescentes que utilizam halogêneo para melhorar sua eficiência e vida útil, e por isso tem custo um pouco mais elevado. Estão disponíveis em tensão de rede normal (110 ou 220V) ou em tensão mais baixa de 12V. Essas lâmpadas podem apresentar um cone de iluminação com ângulos definidos e com um bom índice de reprodução de cores e por esse motivo são indicadas para iluminação de destaque. Entre as lâmpadas halógenas de 110 ou 220V encontramos a HaloPAR 20,30 e 38, a Halopin, a bipino e a palito. Para as halógenas de 12V temos a Dicróica, Mini Dicróica, a PAR 16 e as AR 48, 70 e 111. É importante levar em consideração que as halogénas liberam uma quantidade de calor considerável que podem aquecer o ambiente, deteriorar objetos sensíveis ou incomodar o usuário que fica na frente do seu facho de luz.

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Lâmpadas de descarga: utilizam gases como meio para descargas elétricas que emitem luz. Geralmente são lâmpadas de potências maiores e precisam de reatores para serem acionadas. São indicadas para iluminação de grandes áreas e com operação contínua visto que demoram a atingir a potência máxima da lâmpada. São mais utilizadas em iluminação de ruas,  estacionamentos, galpões e iluminação de grandes fachadas.

LED: são lâmpadas que utilizam pequenos componentes que emitem luz com baixíssimo consumo energético e por esse motivo tem se tornado bastante popular. Uma lâmpada de LED consome cerca de metade da energia de uma lâmpada fluorescente equivalente, porém tem um custo mais elevado. É preciso ter cuidado para buscar lâmpadas produzidas por bons fabricantes devido à grande quantidade de exemplares chineses de baixa qualidade no mercado. Em razão de sua versatilidade, hoje temos uma grande variedade de lâmpadas LED que buscam substituir lâmpadas dos formatos mais diversos, desde a lâmpada tubular até a lâmpada de bulbo esférico, mas vale ressaltar que nem sempre reproduzem completamente o efeito luminoso das demais.

Em suma, o uso correto dos tipos de lâmpadas, luminárias e anteparos combinados com os variados efeitos de iluminação é o que proporciona bons projetos luminotécnicos.

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