Brasília Concreta

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Brasília, 21 de abril de 2015. Aniversário da minha cidade, que hoje completa 55 anos.

Acordei preguiçosamente pela manhã e, aproveitando que hoje é feriado, fui fazer uma caminhada no Eixão, que está fechado em plena terça feira só para os pedestres e esportistas. Está um sol lindo e tem bastante gente na rua. Brasília Concreta há 55 anos.

Quando resolvemos escolher o nome para o blog, procurávamos algo que tivesse a ver com a nossa cidade e que remetesse à atualidade, que abarcasse a infinidade de ideias e assuntos não apenas sobre arquitetura e design, mas que fosse um espaço para escrever sobre Brasília e nossas opiniões sobre o passado, presente e futuro desse espaço urbano diferentes de todos os outros e tão nosso.

Brasília Concreta representa o que a cidade é hoje. A concretização de um sonho de grandes homens, que surgiu da imaginação e croquis do mestre Lucio Costa e ganhou vida. Brasília pulsa, com as suas grandes avenidas, suas superquadras e edifícios construídos, áreas públicas tomadas pela vegetação, todos os ícones da arquitetura conhecidos e desconhecidos, nosso belo Lago Paranoá. Saímos literalmente do papel!

Brasilienses não são mais coisa de outro mundo. Os primeiros brasilienses legítimos já tiveram seus filhos e seus filhos já tiveram filhos. Conheci muita gente que sai de Brasília para morar em outra cidade mas sempre volta para passear, com aquela saudade de dar uma volta no Parque da Cidade ou desviar um pouco a rota só para apreciar o edifício do congresso nacional. Isso sem falar na infinidade de pessoas que ainda vem pra cá trabalhar e resolve se intitular brasiliense de coração.

Gosto muito de Brasília. Claro, é a minha cidade, mas aprendi a amar cada vez mais depois que me tornei arquiteta. Sei que temos problemas a resolver e  que o projeto da cidade recebeu algumas críticas ao longo dos anos, mas, para mim, a existência de Brasília significa uma experiência viva e bastante válida em relação às convicções dos modernistas de todo o mundo. A construção literal de uma cidade inteiramente modernista possibilitou a observação real do que acontece e não acontece nos espaços públicos, as vantagens e desvantagens dos sistemas antes apenas pensados na teoria. Aqui é possível observar como as pessoas se apropriam dos espaços, e isso é fundamental, porque sem as pessoas, para que serve a arquitetura afinal?

Nós, arquitetos e urbanistas de Brasília, nascidos aqui ou não, somos responsáveis pelo futuro da cidade em termos de crescimento e urbanização. Os desafios são muitos. Como orientar o crescimento e desenvolvimento de uma cidade jovem e que é tombada Patrimônio da Humanidade? Como conseguir minimizar seus problemas sem ferir o plano original? O que é a essência do plano de Lucio Costa e que deve ser preservado com unhas e dentes para não perder essa identidade só nossa? Esse trabalho e a busca pelas respostas compete a nós.

Bom, lançada meu pedido de cuidado com a cidade aos meus colegas de trabalho, convido a todos, arquitetos ou não, a darem uma bela volta por Brasília hoje. Um passeio, realmente prestando atenção aos espaços por onde costumamos passar todos os dias sem reparar em nada além da pressa. Desfrutem a nossa cidade! Essa sim é uma bela homenagem de aniversário!

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