Brasília, cidade cenográfica

Brasília, Cidade Cenográfica

 

Quem é brasiliense deve ter visto ou pelo menos ouvido falar da minissérie “Felizes para sempre?” que foi ao ar em janeiro. O motivo desse burburinho é que Brasília foi o plano de fundo da produção e teve grande destaque tornando-se praticamente uma coadjuvante na trama. Com takes longos de locações marcantes como a esplanada dos ministérios ou de lugares nem tão conhecidos do entorno, ficou evidente que nossa cidade tem muitas belezas e facetas que às vezes passam despercebidas até pelos maiores admiradores dessa jovem cidade moderna.

Independente de gostar ou não de novelas, a verdade é que o brasiliense se identificou profundamente nas imagens dessa obra. Uma grande preocupação de muita gente era se ficaria só no clichê de se limitar a mostrar o Congresso Nacional mas, felizmente, as imagens foram bem além disso e o leque de cenários foi bem amplo: minhocão da UnB, Parque da Cidade, Lago Paranoá, as tesourinhas, o “Beirute”, Vale da Lua… A empolgação de Brasília “se ver” em rede nacional parecia a de um adolescente que iria aparecer na TV pela primeira vez.

 

Talvez pelo motivo de arquitetura e cinema serem duas de minhas grandes paixões, eu sempre enxerguei Brasília como uma grande cidade cenográfica. Passeios de carro de madrugada ou em finais de semana pelo Eixo Monumental com uma música de fundo me faziam sentir sentado numa sala de cinema em movimento. Obviamente, o diretor Fernando Meirelles percebeu esse potencial ao solicitar a transferência da locação original que era Niterói.

Certa vez disse Niemeyer: “Vocês vão ver os palácios de Brasília, deles podem gostar ou não, mas nunca dizer terem visto antes coisa parecida.” De fato, moramos em um lugar bastante singular e até um pouco pitoresco, um verdadeiro devaneio artístico de imensas proporções, onde nada parece se encaixar em referenciais de um padrão de cidade, tanto do ponto vista arquitetônico quanto do ponto de vista urbanístico.

Inclusive, devido à singularidade arquitetônica de seus edifícios, Brasília foi escolhida para ser a principal locação para a gravação do filme americano de ficção científica “Æon Flux”. Infelizmente, por falta de infraestrutura na cidade, as locações do filme foram transferidas para as cidades de Berlim e Potsdam na Alemanha com uma arquitetura também similar à visão da cidade de Bregna imaginada pelos produtores do filme.

É óbvio que a minissérie da TV Globo não é a primeira produção a usar o cerrado do Planalto Central como pano de fundo. Quem gostou de ter visto Brasília na tela e quiser repetir a sensação pode incluir na sua lista o filme “Insolação” que também mostra locais inusitados da cidade e até nos desafia a identificar onde cada imagem foi capturada.

Insolação – trailer from Murilo Hauser on Vimeo.

Recentemente, filmes como “Somos tão Jovens” e “Faroeste Caboclo” foram dois longas metragens ambientados em Brasília. E para quem tiver interesse em um cinema mais alternativo, acaba de entrar em cartaz o filme ganhador do 47º Festival de Brasília “Branco Sai, Preto Fica” que trata de questões raciais e sociais numa ficção que se passa na periferia de Brasília.

Somos Tão Jovens – Trailer oficial from Imagem Filmes on Vimeo.

Faroeste Caboclo – Trailer Oficial [HD] from Sarah Noda on Vimeo.

Não podemos, de modo algum, deixar de registrar que existe uma produção frutífera de curtas metragens na cidade e você pode conferir alguns no site Porta Curtas.

Mas o recado aqui é que quem ainda não teve a oportunidade de ver a minissérie “Felizes Para Sempre?” deveria encontrar uma forma de conferir. Recomendo muito, até para quem não curte novelas ou não curte a programação da emissora. A produção tem boa direção, boa fotografia e boas atuações, mas o melhor mesmo são as belíssimas imagens de nossa capital.

 

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