Aos brasilienses que cresceram com a cidade

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Conversando um dia desses com amigos, me lembrei do antigo Tobogã que existia no Parque da Cidade. Era de longe meu brinquedo preferido. Quando era pequena, meu pai me levava ao Parque da Cidade, hoje denominado Sarah kubitschek , onde comprava 10 bilhetes para que eu pudesse brincar onde quisesse. Eu gastava meus 10 ingressos descendo no tobogã, o que era uma grande emoção para mim. Subir os infinitos degraus e depois deslizar como velocidade máxima escorregador abaixo para mim era como sair voando.

Cresci sempre pensando em levar meus filhos para escorregar no tobogã, desejando que eles curtissem esse momento tanto quanto eu. Infelizmente em 2011 o tobogã foi desmontado com a promessa de outro mais moderno, que nunca chegou.

Quem acima dos 30 nunca passou “horas” esperando  na fila só para passar pelo foguetão  Parque Ana Lídia imaginando ser um astronauta rumo à Lua?

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Essa nostalgia toda me fez embarcar no túnel do tempo e resgatar as brincadeiras de criança nas superquadras de Brasília. Pensando no tobogã, logo lembrei de descer pelos taludes de grama escorregando em uma caixa de papelão aberta. Tarde de diversão garantida para terror dos porteiros da quadra. Demorei até tomar coragem de descer o maior e mais imponente de todos os taludes: o do Congresso Nacional! Isso sim era adrenalina!

escorregar papelão

Outra brincadeira de rua muito comum no país e que ganhou as ruas de Brasília era o jogo de Bete. Para quem não conhece, o jogo de Bete é praticado em duplas e tem como objetivo principal rebater a bola lançada pelo jogador adversário, sendo que, durante o tempo em que o adversário corre atrás da bola, a dupla que rebateu deve cruzar os tacos, no centro do campo, marcando assim um ponto.

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As meninas costumavam passar as tardes brincando de pular elástico. Os meninos da minha quadra faziam campeonato de bolas de gude. As vezes rolavam campeonatos entre as crianças das quadras vizinhas.

4066019578_83f3dff430_o  pular elástico

Era comum também acontecer umas gincanas, organizadas pelos moradores das quadras. A competição acontecia entre as crianças de cada bloco da quadra e o objetivo era filantrópico. A prova que valia mais pontos era a de doação de alimentos não perecíveis. O bloco que arrecadasse mais alimentos ganhava mais pontos. Também tinham outras provas envolvendo toda a comunidade como levar o morador mais velho do bloco ou aparecer primeiro com um gato de laço vermelho no pescoço. Atividades que ficaram na memória e hoje quase não existem mais pelas nossas ruas.

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Tenho consciência de que os tempos são outros e as crianças pertencem a uma nova geração. Com o advento dos jogos de videogame e da internet, as brincadeiras e interesses dos pequenos brasilienses mudaram bastante. Mas criança ainda é criança! Se forem apresentadas as “novas – velhas” brincadeiras, podem achar divertido. Talvez não por tantos dias como fazíamos antes, mas seguramente passarão horas interessantes. Além do mais, para ensinar os jogos para os filhos, os pais terão que fazer uma demonstração e quem sabe despertarão também o campeão de Bete adormecido há anos! Seria bonito ver as ruas da cidade cheias de crianças brincado de novo!

Sou brasiliense e vivi essa infância que já não existe. Ainda não tenho filhos. O tobogã do Parque da Cidade já não existe mais. Mas enquanto houver caixas de papelão e o majestoso talude gramado do Congresso Nacional, haverá esperanças!

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