Ocupando espaços pequenos

A realidade dos novos imóveis, quando falamos sobre tamanhos e tipos de apartamentos disponíveis para compra e venda, é bem diferente de alguns anos atrás. Hoje os imóveis estão cada vez mais compactos e adaptados a realidades diversas, considerando não somente espaços amplos para famílias com mais de 04 membros, mas casais sem filhos e até moradores individuas, tornando sua aquisição mais acessível financeiramente.

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A consequência disso é o surgimento de demanda de ocupação de espaços reduzidos, que precisam ser planejados com todo cuidado a fim de que as necessidades do morador possam ser contempladas, sem a sensação de que amontoamento. Para isso é necessário que o planejamento dos ambientes e escolha de mobiliários seja feita considerando a versatilidade e multifuncionalidade de atividades que serão realizadas no mesmo espaço.

Uma das maneiras de conseguir a ampliação de áreas reduzidas é a diminuição da compartimentação de ambientes por meio da integração de atividades. Agregar a sala de estar, jantar e cozinha no mesmo ambiente, por exemplo, já é uma solução bastante utilizada e que gera resultados interessantes em termos de espaços. É possível também juntar as atividades de sala e escritório, ou cozinha e área de serviços, resolvendo duas funções em um mesmo compartimento, de maneira que as funções possam ser desempenhadas em áreas não pareçam comprimidas ou estreitas demais.

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Pode ser considerada ainda a supressão de algum ambiente ou função, conforme a necessidade dos usuários, eliminando por exemplo as dependências de empregadas, lavabos, despensas e closets, que eventualmente não serão utilizados com frequência, e podem fazer a diferença expansão do ambiente vizinho.

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Quanto aos mobiliários, é importante que sejam escolhidas peças com tamanho adequado às dimensões dos ambientes, a fim de que não pareçam entulhados. Essa é uma das causas mais frequentes da “falta de espaço” nos imóveis pequenos. Em um quarto de dimensões reduzidas, uma cama de casal tamanho Queen ou King podem dar a impressão de que o quarto é ainda menor. Nesse caso, a melhor opção seria escolher uma cama de casal tamanho padrão.

É interessante também planejar ou adquirir moveis versáteis, que possam ser utilizados de várias formas ocupando menos espaço, por exemplo um banco que pode ser utilizado como mesa de cabeceira, um rack para a tv que se transforma em banco para a mesa de jantar.

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Em relação às circulações, algumas dimensões mínimas precisam ser consideradas para o posicionamento dos mobiliários no ambiente, a fim de garantir que haverá espaço suficiente para que uma pessoa transite de um ponto a outro sem esbarrar em obstáculos. Como referencias, podemos citar algumas dimensões mínimas a serem consideradas para locação dos móveis:

  • Circulações em geral: 60cm
  • Circulação para PNE: 80cm
  • Mesa de Jantar: entre pares de cadeiras e a parede atrás dele a distância mínima deverá ser de 80 cm, intervalo que proporciona conforto quando alguém se senta ou se levanta.
  • Sala de Estar: para incluir uma mesa de centro em salas estreitas, só abrindo mão do padrão recomendado de 60 cm livres. Entre a mesinha e o sofá, e entre ela e a poltrona, a distância mínima aceitável é de 40 cm – ainda assim, será preciso passar de lado caso alguém esteja sentado. Se o rack tiver gavetas, que se estendem por cerca de 30 cm quando abertas, você necessitará deixar um intervalo maior, de 50 cm, desse móvel até a mesa.
  • Sofá: entre o braço do sofá e a parede devem restar ao menos 10 cm, espaço suficiente para abrigar a cortina
  • Circulação Cozinha: Deve existir um corredor de 1 m de largura sem barreiras. A distância supera a de outros cômodos para garantir a mobilidade de duas pessoas – enquanto uma usa a bancada, a pia ou o fogão, a outra transita com segurança, já que muitas vezes é necessário carregar louças e pratos quentes.
  • Eletrodomésticos: é necessário ter atenção redobrada às posições da geladeira e do fogão. Como esses equipamentos geram calor, que precisa ser dissipado, não podem ficar encostados nas paredes nem nos móveis adjacentes.
  • Fogão: quando o forno está aberto, é importante que restem livres 65 cm ou mais para que se consiga agachar, tirar o recipiente do interior e levantar sem o risco de esbarrões.

Projetar para espaços pequenos é bastante desafiador. Todas as disposições dos mobiliários e equipamentos devem ser propostos para que as atividades necessárias possam ser desempenhadas de maneira adequada fácil e prática. Esse é o grande diferencial de ambientes reduzidos que recebem um planejamento prévio eficiente, que, aliados a soluções criativas, bonitas e inteligentes podem produzir espaços confortáveis e aconchegantes.

Construir o Segundo Pavimento, pode?

É bastante comum, circulando pelas ruas das cidades, observar obras de construção para acréscimo de pavimentos, principalmente em áreas residenciais. Uma família que já possui sua moradia, consegue economizar e decide transformar a casa térrea em um sobrado, ou um empreendedor que construiu seu negócio em uma edificação térrea e agora pretende acrescentar mais pavimentos para ter uma fonte de renda extra são exemplos  desse sonho, que gera muitas dúvidas na hora de tirar do papel.

Então, o que fazer? Por onde começar?

Para quem está interessado em iniciar uma obra de ampliação de uma edificação, a primeira medida a tomar é garantir que a legislação do lote admite construções de mais pavimentos, conferindo  parâmetros legais e normativos vigentes como a cota de coroamento e cota de soleira. A título de esclarecimentos, denomina-se cota de coroamento o ponto mais alto da edificação definido pela legislação de uso e ocupação do solo específica para determinado lote ou projeção e cota de soleira é a referência altimétrica a partir da qual se mede a altura máxima da edificação.

Estando seguro de que não há impedimentos legais para o aumento da altura da edificação, a próxima etapa, e uma das mais importantes, é a avaliação da estrutura existente, a fim de averiguar a necessidade de um reforço estrutural. É necessário considerar que o peso de um segundo pavimento acarreta em sobrecarga e a estrutura deve estar preparada para receber tal esforço, caso contrário pode entrar em colapso. Em alguns casos, o projeto estrutural na edificação construída já foi elaborado considerando uma ampliação futura, porém, quando não há conhecimento sobre como a edificação foi executada, o melhor a fazer é buscar um engenheiro especializado a fim de avaliar as condições atuais e atestar a segurança da atividade pretendida.

Quanto ao projeto arquitetônico, é prudente tomar alguns cuidados durante sua elaboração, como considerar a continuidade dos pilares que nascem no térreo para o segundo pavimento, facilitando assim a distribuição das cargas até a fundação. É importante também estudar o melhor posicionamento da circulação vertical para a nova proposta, a fim de interferir o mínimo possível no que já está construído, evitando demolições desnecessárias e futuras complicações decorrentes dessas modificações.

A ampliação do pavimento superior ocasiona tanto uma grande modificação da aparência geral da edificação, quando revela novos parâmetros a serem tratados por meio de soluções arquitetônicas, como a existência de vistas interessantes, incidência solar desejada ou indesejada, a possibilidade de visualização de partes da quinta fachada (telhados da própria residência ou de edificações vizinhas), que normalmente tem aspecto desagradável, e ainda a possibilidade de perda de privacidade devido a existência de outras construções muito próximas. É necessário ter um cuidado especial ao escolher os tipos e localização das aberturas, posicionando portas e janelas nos locais mais apropriados, considerando o melhor aproveitamento das características locais e contexto da edificação.

Intervenções desse tipo, portanto, podem sim ser realizadas, porém precisam ser executadas com atenção e cautela, acompanhadas por profissionais capacitados, uma vez que o acréscimo de um ou mais pavimentos pode acarretar em  grande impacto na edificação existente, causando grandes transtornos e até o colapso da estrutura antiga.

Inimigo Infiltrado

A infiltração se caracteriza pela presença de umidade em paredes, lajes, pisos, caixas d’água, piscinas entre outros, tornando-se um transtorno com o passar do tempo, tanto por agravar problemas de saúde, por questões estéticas e de segurança da edificação

As infiltrações podem ter várias causas, e muitas vezes, não basta tratar o problema apenas onde ele aparenta estar. É necessário descobrir e corrigir a causa do problema em sua origem, do contrário, a infiltração voltará a aparecer e todo o trabalho precisará ser refeito periodicamente.

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O que é arquitetura vernacular?

Maxakali

O termo “arquitetura vernacular” é confundido por muita gente com classificações de significados similares porém distintos. Para alguns, pode simplesmente significar arquitetura antiga, do passado, arquitetura popular e mais recentemente tem surgido uma associação com arquitetura sustentável. Bem, arquitetura vernacular até tem um pouco de tudo isso, mas é algo vai bem mais além.

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Reflexões sobre a Mostra ComCiência – CCBB

Está em exibição no CCBB a Mostra ‘COMCIÊNCIA’ da artista Australiana Patricia Piccinini, com suas representações hiper realistas de seres geneticamente modificados.

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Imagens CCBB

Primeiramente, vale a pena reparar no título ‘COMCIÊNCIA’ dado à exposição, que na minha opinião é genial, pois evidencia exatamente o que deve ser percebido na Mostra como essência, a combinação entre as palavras consciência e ciência.

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